top of page
Buscar

pequenos escritos #1

  • 17 de mai.
  • 1 min de leitura

a coisa


estou parada, meio sem saber para onde ir. ela repara, chega perto. como você tá?; me pergunta. eu tô… sabe quando você tá? assim? e faço uma cara em que aperto a boca e as mãos, algo como com o corpo mostrando essa sensação, essa sensação… coisada!, diz ana, a instrutora da academia, que rapidamente compreende o que eu estava. coisada. o bicho, às vezes eu digo. tô bicho hoje. o sol entrou em áries e eu, leonina que sou, capto as energias solares de forma mais intensa, com minha lua em peixes que também sente sem filtro, sinto muito, como já diria leminski. muito mesmo e quando eu tô coisada, o bicho, eu pareço não caber no meu corpo, o dia chega em ritmos que não consigo entrar. fico num compasso só meu da vida, não quero convidades nele. aí eu paro, escrevo, a coisa sai e eu volto a andar no ritmo certo. ou eu paro, choro, a coisa sai e eu caibo nessa minha existência de agora, que já atravessou tantas outras existências minhas e de quem veio antes de mim. ou eu paro, grito, a coisa sai e eu respiro sem aperreio. ou eu paro, danço, a coisa sai e posso voltar a sonhar. 




foto da obra de josé leonilson
foto da obra de josé leonilson

gostou do texto? se inscreva para receber em seu email!

© impressionista 

bottom of page